A atual corrida pelo ouro na Amazônia levanta a possibilidade de que a região esteja testemunhando o surgimento de uma nova Serra Pelada — o maior garimpo a céu aberto da história, nos anos 1980.
A diferença é que a busca pela riqueza agora é marcada por tecnologia, logística avançada e uma escala de operação difusa, mas igualmente impactante — medida pelo número de operações policiais e pelos prejuízos milionários ao crime.
Enquanto, há mais de 40 anos, o garimpo era marcado pelas “formigas humanas” — dezenas de milhares de garimpeiros que exploravam a região quase que totalmente de forma manual — hoje, o garimpo ilegal utiliza um arsenal de dragas, tratores e escavadeiras para revolver o leito dos rios e o solo da floresta, causando um impacto ambiental muito mais rápido e extenso.
A Operação Catrimani II, realizada entre abril de 2024 e abril de 2025 na Terra Indígena Yanomami, oferece um panorama da escala do garimpo moderno, com a apreensão de 33 aeronaves, 123 balsas e dragas.
Além disso, foram destruídos 508 acampamentos ilegais e 53 pistas de pouso clandestinas. A operação também apreendeu mais de 186 mil litros de combustível, 34 kg de ouro e 158 toneladas de cassiterita.
Outra diferença é que, enquanto em Serra Pelada a exploração era concentrada em um único ponto — uma cratera visível do espaço — a exploração atual é um problema difuso, com milhares de pontos de garimpo espalhados por vastas áreas da Amazônia.
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